#BP77
O
mais que clamo são cactos.
Rosas aos olhos das damas,
Que só por eles, lhes floresça o espírito
De nunca se vir a sentir o seu verdadeiro tacto.
No lago, o cisne branco avista em terra algo que mexe.
Tum, tum, pic, pic, tum, tum.
Cerqueira de rotundas envolvem o esgrouviado olhar. Repleto de veias de sangue verde.
Tic, tic, pum, pum.
Seria mais branco se tudo nele se concentrasse, na base do mais insígnio espectacular.
Pac, pac, tum, tum.
O carro espalmado rodopia na estrada molhado p’la chuva da terra.
Assim, a menina que voa pelo bosque e que o cisne avistou é agora nada mais do que o espectro celular do lago concêntrico.
Plac plac, pic, pic, tum, tum.
Reflecte o branco tecidual da pureza espiritual.
Tum tum, flic, flic.
O cansaço atenua a dor.
O palhaço distorce a imagem.
Levam rudes as flores, os homens da era vistosa.
Tum tum.
No mar, os marujos descaem pelas cópulas.
Na praia, a areia escoa as essências.
O cisne, vive intensamente o que vê ao longe. O que ele avista.
Serão mais os olhares focados incompreendidos.
A menina, envolta de tecidos que lhe tiram a nudez, permanece dançando, na orla do lago. E canta.
A mulher lava a roupa no rio. Teria marido e talvez um filho.
O cisne levemente levanta a asa e com o bico da boca lhe toca, a ele mesmo.
Os marujos, repletos de intensas recordações, permanecem inertes a tal imagem.
Plac plac, tum tum.
Não mais serão cactos.
Pic pic, tum tum, plic plic.
Dju ni à nê na.
Dju ni ê à nê na.
As flores murcham e o tempo aquece.
Os homens, esses, seguram nos chapéus e pedem esmola à menina que dança.
O cisne, no lago, daquilo que mexe avista, e as rotundas separam-se umas das outras.
A areia clamou as cerqueiras.
Vié Vié, plac plac.
A menina lança um olhar e com as mãos dirige-se ao palhaço.
Tuc tuc tuc tuc.
Esguia, a torre que sobressai na praia. O filho o teria feito. O marido chama-o para dentro de casa.
Os marujos adormecem.
Ruc ruc, fliu fliu.
O palhaço destrói a torre, antes da maré. Cai sobre ele, a menina vira costas e exclama:
“Estou livre de barreiras da minha imagem!”
Pui pui, tum tum.
O cisne entra em terra e comunica com o cacto.
Tu tu tu tu eu.
Entram célebres os focados olhares.
Dirigem-se ao rio.
Ao som do piano estaria dançando.
Ao lado do cacto, o cisne estaria dormindo.
Apoiados nos mastros os marujos anseiam terra.
Descamados no chão, os pedintes seriam homens.
Ao pé do rio, o chão molhado destruíra carros.
Debaixo da areia, o palhaço descansa.
Dentro de casa a família janta, a roupa já secou.
Ao nosso lado, o brilho do sol, retira a imagem, sobrepõe o branco na imagem do lago.
A mais que clamo são cactos.
Rosas aos olhos das damas.

1997
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© Joana Sofia : jc@caixa-magica.com : portfolio : 2007/ 2009 : prosa